A Inteligência Artificial (IA) vai substituir os designers?

Por muito tempo, a interface do usuário (UI) tradicional funcionou como um verdadeiro “circuito de obstáculos”, exigindo que os usuários passassem por diversas etapas para alcançar o que desejavam.

Com a ascensão de “agentes inteligentes”, essa dinâmica está mudando. Agora, basta um comando simples como “Reserve passagens e agende um hotel” para que o usuário vá direto ao seu objetivo, como se tivesse sido teletransportado — mas com segurança, e sem alterar as células humanas.

Porém, o que acontece com a Experiência do Usuário (UX) quando 90% da interface cuidadosamente projetada se torna irrelevante? Essa será uma das grandes questões que marcarão 2025 e os anos seguintes, desafiando a compreensão sobre o propósito do software e design de interface.

Steve Jobs previu essa revolução?

Em 1984, Steve Jobs já antecipava que os computadores deixariam de ser meras ferramentas para se tornarem “agentes” capazes de prever nossas necessidades. Quatro décadas depois, essa visão parece se concretizar de formas que talvez até ele achasse surpreendentes.

“Os computadores que temos hoje são ferramentas. Eles respondem aos nossos comandos: você pede algo, e ele executa. O próximo passo será torná-los ‘agentes’. Será como se houvesse uma pequena pessoa dentro da máquina, antecipando o que você quer. Em vez de apenas ajudar, ele guiará você por grandes volumes de informação. Será quase como ter um amigo dentro do computador. Acredito que os computadores como agentes começarão a amadurecer no final dos anos 80 e início dos 90.”

— Steve Jobs, em entrevista para a Access Magazine, 1984

UX está desaparecendo? Bem-vindo ao AX

Se a interface simplesmente desaparecer, o que isso significa para o design digital? Esse é, sem dúvida, um dos deslocamentos mais profundos que já presenciado ao longo de mais de uma década analisando essas mudanças. Estamos caminhando de uma Experiência do Usuário (UX) tradicional para uma Experiência de Agente (AX).

Nos modelos atuais, os usuários seguem um fluxo bem definido: navegam, clicam, preenchem campos e avançam passo a passo até um objetivo. Esse processo, que sempre foi a essência da UX, está sendo substituído por algo mais fluido. Agora, não é mais sobre interagir com menus e botões, mas sim sobre expressar uma intenção — mesmo que de forma imprecisa — e deixar que o agente inteligente interprete, refine e execute a ação.

É como quando surgiram as telas sensíveis ao toque, em um mundo repleto de teclados mecânicos. Os humanos experimentaram uma sensação revolucionária: tocar diretamente na interface digital, sem intermediários — uma interação direta e não mais indireta, através do mouse e teclado.

A chegada da AX representa um salto ainda maior, eliminando a distância entre intenção e realização — não entre humano e computador, mas entre computadores se comunicando entre si.

Essa transformação não é apenas técnica; é conceitual. Quando os humanos deixam de percorrer interfaces e simplesmente chegam ao destino, toda a lógica de interação muda. Os pequenos momentos de escolha que moldavam a experiência digital — qual botão apertar, qual caminho seguir — dão lugar a um único comando.

Há algo fascinante e, ao mesmo tempo, inquietante nisso. Por um lado, há uma libertação da mente da necessidade de traduzir vontades em comandos de interface. Por outro, perde-se as descobertas inesperadas que surgem ao explorar um sistema de forma mais ativa.

Qual o papel dos designers nesse novo cenário?

Os designers não estão sendo substituídos, mas realocados para um novo papel: arquitetar a interação entre humanos e IA, garantindo que a tecnologia continue servindo às pessoas. O conceito de “piloto automático” não significa que os humanos deixam de atuar, mas que devem projetar e supervisionar ciclos que funcionam de forma precisa e confiável.

O futuro pertence àqueles que aprendem a usar a IA a seu favor, não àqueles que a temem. A inteligência artificial não substitui a criatividade humana — ela pode, na verdade, amplificá-la.

Na evolução do design, a conversa entre humanos e máquinas se torna cada vez mais sofisticada e significativa. A questão não é se essa mudança acontecerá, mas como nos adaptaremos a ela.

Como se destacar no mercado de design diante das mudanças causadas pela IA?

Se você deseja se destacar no mercado de design e marketing, conheça os treinamentos que te levarão além do domínio de ferramentas, ajudando você a desenvolver um pensamento estratégico que nenhuma IA poderá replicar. Aprenda com Rian Dutra, autor best-seller de Enviesados, sobre Psicologia Aplicada ao Design, Marketing e Negócios.

Leia também