Este texto foi originalmente publicado no LinkedIn de Rian Dutra, em 02 de abril de 2025.
Imagine: você está em 2062 e os botões desapareceram das telas. Não há botões nem telas. O usuário não clica mais em nada, nem pensa muito, só pede, e o sistema faz por nós.
Vida boa. Mas será que nos tornaríamos menos inteligentes por isso?
Efeito Google na memória humana
Segundo pesquisas, a memória humana já não trabalha como antes, porque se tornou muito fácil encontrar informações na internet. Em vez de os humanos lembrarem do que aprenderam, tendem a lembrar onde as encontraram. Esse é o chamado Efeito Google.
Agora, com a intervenção do ChatGPT as Inteligências Artificiais, se é tão fácil ter respostas imediatas, para onde foi a busca do conhecimento rica e inesperada que era possível encontrar ao explorar livros, sites e blogs?
Pra que ler livros, afinal?
Os humanos deixarão de pensar com a intervenção do ChaGPT e IAs?
Se antes os humanos não conseguiam guardar tanta informação nova pois o Google já o faz, agora, perderão a capacidade de deliberar, ponderar, discernir, argumentar, raciocinar e pensar?
E pior: num futuro distópico e catastrófico, talvez tudo deixe de existir, e o que restará é apenas uma caixinha ou um microfone por onde o usuário pede o que quiser.
Steve Jobs previu o uso da Inteligência Artificial?
Em 1984, Steve Jobs disse que:
“os tipos de computadores que temos são ferramentas. Você pede para um computador fazer algo e ele faz. A próxima etapa seria os computadores como ‘agentes’.”
Então, extinguiria a era da Experiência do Usuário (UX) para inaugurar um novo paradigma na interação humano-computador: AX (Experiência do Agente).
Como seria a era da AX (Experiência do Agente) na prática?
Na prática, em vez de o usuário clicar em botões, esses agentes de IA fariam tudo para os humanos, interagindo entre os sistemas de maneira autônoma.
Foi o que John Maeda, vice-presidente de engenharia da Microsoft, e para quem, há quase dez anos, Rian Dutra projetou o site oficial do livro “Leis da Simplicidade”, disse:
“(…) estamos entrando na era da experiência do agente (AX), onde os sistemas operam entre si, sem precisar de intervenção humana o tempo todo.”
Design de Experiência Humana
Há três anos, no livro “Enviesados”, de 2022, Rian Dutra apresentou seu conceito de Design de Experiência Humana, e nunca fez tanto sentido como atualmente.
Nesse sentido, os designers não deveriam focar em telas, botões e no produto digital em si, mas na experiência humana como um todo, tendo uma visão mais ampla, estratégica e holística.
O design além da tela.
A Inteligência Artificial substituirá os profissionais?
É provável que profissionais for meramente ferramentais tende a se extinguir, como:
- O médico que apenas analisa exames;
- O advogado que somente escreve contratos;
- O programador que somente escreve código;
- O designer que apenas desenha tela.
Inclusive, no treinamento em psicologia aplicada ao design do Rian Dutra, ele não ensina a desenhar telas, mas como usar princípios da psicologia pra criar designs mais eficazes e estratégicos.
Como será o futuro?
Uma vez que a IA faz tudo, como garantir que faça realmente o que os usuários precisam e não simplesmente o que querem? Ou seja, que crie a imagem correta, que faça a transferência bancária sem erros, que respeite os direitos autorais de outros, e que não utilize dados sensíveis em prol das big techs…?
Lembra do T-800, certo?