Economia da Atenção: estratégias de UX Design para criar produtos que cativam o usuário sem comprometer sua experiência

“Big Techs” são as grandes empresas de tecnologia que dominam o mercado. Com essa supremacia, torna-se quase impraticável levar uma vida digital sem estar inserido no ambiente que essas corporações estabeleceram, possibilitando que exerçam forte influência sobre os usuários, como em questões de privacidade e Economia da Atenção ou até mesmo em poder de mercado e liberdade de expressão. Devido à ausência de regulamentação nesse setor, é frequente a impunidade diante de práticas antiéticas.

Os UX Designers detêm um papel fundamental na definição dos padrões éticos dentro da indústria tecnológica e são capazes de enfrentar os desafios impostos pelas “Big Techs”. Podem devolver o controle aos usuários, criando sistemas que primem por melhorar a qualidade de vida das pessoas em vez de explorá-las com fins lucrativos. Vejamos abaixo como esse objetivo pode ser alcançado:

Incorporar elementos que aprimorarão a qualidade de vida das pessoas

A melhor maneira de o UX Designer transformar o panorama da indústria para promover o bem-estar dos usuários, em vez de meramente disputar sua atenção, é inserir pequenos componentes que beneficiem a saúde mental ou física das pessoas em qualquer projeto em que participe. Isso pode abranger inúmeras questões, por exemplo, enfatizar a comunicação interpessoal, desestimulando a implementação de elementos que explorem a atenção das pessoas e prejudiquem sua saúde mental, como nas redes sociais, que induzem a “rolagem sem sentido“.

Ser criterioso ao aceitar projetos

É essencial o UX Designer avaliar se está de acordo com as diretrizes propostas, verificando se a empresa que deseja contratá-lo realmente segue padrões éticos, não almeja explorar os usuários e não prioriza o lucro a qualquer custo.

Adotar uma postura cética

Devido à falta de regulamentação, as grandes empresas de tecnologia e aquelas que também aspiram a um lugar de destaque no mercado frequentemente distorcem informações para seus contratados e para seus usuários.

Sendo assim, para decidir conscientemente quais empreendimentos aceitar, o UX Designer deve manter um olhar crítico em relação ao que os contratantes afirmam sobre a empresa ou o projeto em questão.

Aceitar projetos que beneficiem as pessoas por um custo menor

Diante das substanciais consequências negativas da indústria de tecnologia na sociedade, é razoável pensar que adotar abordagens similares também possa gerar diversos resultados positivos. Contudo, grande parte das organizações dispostas a esse tipo de projeto não tem a capacidade de remunerar um UX Designer qualificado.

Assumir esse compromisso por um valor mais acessível representa um pequeno avanço em direção ao equilíbrio de um cenário notavelmente desigual, contribuindo para melhorar a vida das pessoas.

Conclusão

Aderir às orientações propostas acima implicará em fazer sacrifícios em sua trajetória profissional. No entanto, para aqueles com princípios éticos sólidos, isso não deve ser um impedimento. Os UX Designers têm poder o bastante para transformar positivamente o cenário digital, e colaborar nesse sentido trará muito mais satisfação do que ser apenas mais um submisso no monótono trabalho corporativo.