Embora a simplicidade seja primordial para um design de produto ótimo e inovador, é frequentemente confundida com estilo minimalista. Enquanto simplificar significa tornar o design menos complexo, o minimalismo envolve a redução de elementos. Na verdade, interfaces do usuário de produtos minimalistas e de aparência simples muitas vezes ocultam uma complexidade.
Decisões de design que visam a redução podem facilmente introduzir mais atrito e carga cognitiva, resultando em uma experiência do usuário mais complexa. Por exemplo, ícones sem rótulos (labels) são difíceis de compreender, gestos fora do padrão não oferecem affordances claras e o minimalista menu hambúrguer já demonstrou inúmeras vezes ter um baixo desempenho.
Todos os designers devem se empenhar na busca pela simplicidade, porém precisam garantir que não haja simplificação excessiva por questões de minimalismo. Como disse Albert Einstein, “tudo deve ser feito o mais simples possível, mas não mais simples do que isso”.
O estilo minimalista nem sempre leva à simplicidade do produto
- Julie Zhuo, diretora de design de produto do Facebook, aponta que um dos erros de design mais frequentes é “supervalorizar a simplicidade e o estilo em detrimento da clareza.” — Os 5 erros de design mais comuns
- Tim Brown, CEO da IDEO, faz uma distinção clara entre minimalismo e simplicidade. Para ele, “minimalismo é uma reação à complexidade, ao passo que simplicidade depende de uma compreensão do complexo”. O minimalismo é um estilo, sendo apenas superficial. A simplicidade surge da compreensão de toda a experiência.
- De forma semelhante, Steven Sinofsky faz uma distinção entre design minimalista e design sem atrito. O design minimalista se refere à redução da complexidade de uma experiência, enquanto o design sem atrito busca diminuir a energia necessária para vivenciá-la. Sinofsky afirma: “O minimalismo é maravilhoso, mas pode apresentar um alto atrito no início. A filosofia Unix, que adota pequenas ferramentas cooperativas, é um exemplo de design minimalista. Cada ferramenta realiza poucas funções, mas o aprendizado e as habilidades necessárias exigem um esforço considerável.” — Escolhas de design sem atrito
- Segundo Jason Stirman, “menos botões, switches e opções não tornam algo simples.” — Simples e clean
- Dan Saffer defende o design visível. Ele afirma que “os designs visíveis não são apenas potencialmente mais valiosos, também são potencialmente mais utilizáveis.” — O mito do design invisível
- Em seu livro “As Leis da Simplicidade“, John Maeda diz: “Por um lado, você quer que um produto ou serviço seja fácil de usar; por outro, você quer que ele faça tudo o que uma pessoa possa querer. […] A maneira mais simples de alcançar a simplicidade é por meio de uma redução consciente. Em caso de dúvida, simplesmente remova. Mas tenha cuidado com o que você remove.”
- No livro Enviesados, designer e pesquisador Rian Dutra diz que “O bom designer questiona, descobre problemas invisíveis, e cria soluções tão óbvias que nem todo poderia enxergar.” — Livro ENVIESADOS: Psicologia e Vieses Cognitivos no Design para criar produtos e serviços que ajudam usuários a tomarem MELHORES DECISÕES
- Às vezes, é preciso mais. “Em alguns casos, os designs realmente requerem algo mais para se tornarem simples. […] A perspectiva predominante indica que a simplicidade é sobre menos – remoção e reducionismo. Mas simplicidade é, na verdade, sobre compreensão e clareza de propósito. Podemos projetar de modo que as pessoas entendam imediatamente o que está acontecendo e tomem uma decisão segura sobre o que fazer a seguir?” — trechos do artigo “O que significa ser simples?“
- Frank de Jong explica que uma UI minimalista é somente uma abordagem rumo à simplicidade, e muitas vezes não é a melhor opção: “Ao forçar um design minimalista na funcionalidade fornecida, uma interface parece menos simplista. A redução de informações significativas leva à confusão e, no final: uma experiência do usuário falha.”
- Frank Chimero escreve: “Estou cansado de coisas simples. Coisas simples são frágeis. São limitadas. São chatas. O que eu realmente quero é clareza. Dê-me coisas claras e evidentes em vez de coisas simples”. – Somente Aberturas
- Jonas Downey questiona por que alguns produtos desorganizados e complexos se tornam extremamente bem-sucedidos, como Facebook, Craigslist ou Photoshop. “A resposta é que esses produtos fazem um trabalho incrível ao resolver os problemas de seus usuários, e suas interfaces complexas são um fator crucial para seu sucesso.”
Conclusão
Embora o minimalismo no design busque reduzir a complexidade, ele nem sempre resulta em uma experiência mais simples para o usuário. A verdadeira simplicidade vem da clareza de propósito e compreensão profunda da experiência. Como destacado por diversos especialistas, simplificar sem perder funcionalidade e visibilidade é a chave para um design eficaz e intuitivo.
Texto adaptado de https://uxmyths.com/post/115783813605/myth-34-simple-minimal.